Resiliência vs Eficiência em tempos de Pandemia

A procura por eficiência tem sido o foco do tecido empresarial, a crescente procura e necessidade de satisfazer mercados globais assim o fez, no entanto essa eficiência veio a mostrar-se pouco resiliente no momento em que a pandemia se instalou.

Já em 2017 catástrofes naturais foram responsáveis por 350 biliões de dólares em perdas. Sendo que os dados de 2020 ainda não estão disponíveis, estima-se que no sector da educação apenas, as perdas possam resultar em 10 triliões de dólares, com cerca de 180 países a manterem aproximadamente 1,6 mil milhões de estudantes em casa.

Todos esperamos que a pandemia provocada pelo Covid-19 seja um evento singular em milénios, no entanto olhando com mais atenção vemos que as quebras nas linhas de abastecimento têm sido bastante recorrentes.

Disfunções nas cadeias logísticas, que durem 1 mês ou mais, acontecem em média a cada 3.7 anos (…) com empresas a puderem esperar perdas de mais de 40% do seu lucro anual a cada década como consequência”

-Mckinsey Global Institute

 

Olhando para trás, vemos que as catástrofes naturais foram na larga maioria as principais responsáveis por quebras nas linhas de abastecimento, como em 2011 quando o Japão foi alvo de um terramoto e consequente tsunami, no entanto as consequências foram para lá do seu território nacional, sendo o país em muito responsável pela produção mundial de partes usadas tanto na indústria automóvel como em aparelhos eletrónicos, fábricas em todo o mundo tiveram de abrandar as suas linhas de produção por falta de abastecimento.

Porém, além de catástrofes naturais comuns e de eventos extraordinários, como a pandemia, o mundo politico e empresarial caminha para uma instabilidade geopolítica fomentada por tarifas, custo de mão de obra, interesses, e outras causas. No ano 2000, países localizados na metade inferior do rank de estabilidade política do banco mundial eram responsáveis por 16% das trocas no mercado global, em 2018 esse valor era 29%. E segundo os dados mais recentes, cerca de 80% das trocas comerciais mundiais são feitas com países com estabilidade política em declínio.

A exposição das várias empresas a estes riscos é díspar, no entanto numa economia cada vez mais coesa e interdependente e com a previsão de agravamento dos eventos que causam tais quebras, as réplicas dos acontecimentos irão chegar a todos. Resta a questão, como evitar a ruptura?

A resposta não é simples e certamente irá requerer um forte planeamento e pensamento estratégico, no entanto consideramos que os eventos que possam ser mais ameaçadores se encontrem na secção de Unknown Unknowns: Eventos que não conseguimos sequer conceber. (Nomenclatura utilizada pela primeira vez pelo secretário de defesa, Donald Rumsfeld). Se não somos sequer capazes de os conceber, logo também não somos capazes de fazer um plano direcionado ao mesmo com antecedência, por exemplo, pandemia COVID-19.

E é aqui que a resiliência pode vir a ter o seu papel principal, sem sermos capazes de precaver o acontecimento específico, resta a capacidade de agir rapidamente e de ter uma estrutura capaz de lidar com o impacto com o menos de perdas possíveis,  o que pode vir a prejudicar a nossa eficiência a curto prazo. Algumas linhas de produção começaram já a colocar essa abordagem em prática, afastando-se do Just in Time, método onde a matéria prima chega na hora exata de maneira a minimizar os custos com inventários, para uma abordagem que mantém um inventário mais completo, certamente mais dispendioso mas que poderá vir a provar ser a estratégia vencedora nos tempos que se avizinham.

Author avatar
Tiago Miguel
Co-Founder/CEO

Post a comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Usamos cookies para te proporcionar a melhor experiência.